Equilibrar os gastos domésticos pode ser um desafio para muitas famílias. Isso porque, sem planejamento e conhecimento das suas despesas, não é possível economizar. De acordo com a última Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do consumidor (Peic) 61,5% das famílias estão endividadas com empréstimos, cartões de crédito e cheque especial.

Esse cenário desencadeia muitos problemas como ansiedade, estresse e acúmulo descontrolado de despesas. Contudo, essa situação pode ser contornada com uma boa organização financeira. Assim, o primeiro passo é analisar a dinâmica familiar como um todo e dividir os gastos domésticos.

O que são os gastos domésticos?

Classificamos como gastos domésticos todas as despesas relacionadas a casa e a família. Neles entram as compras de supermercado, contas como água e luz e até gastos com objetos pessoais. Esses gastos podem variar bastante de família para família e por isso é importante tê-los sempre na ponta da caneta.

A importância desse controle financeiro está justamente em evitar que as contas da casa fiquem fora de controle. Portanto, é preciso saber controlar os gastos e manter a economia da casa sempre em ordem. Isso evita o aparecimento de dívidas e garante maior estabilidade financeira e tranquilidade para você.

Gastos fixos X gastos variados

Na hora de estabelecer um orçamento financeiro é importante conhecer os seus gastos. Isso porque, algumas pessoas tratam como gastos fixos despesas não essenciais. Assim, os gastos fixos são compostos por conta de água, luz, telefone, internet, aluguel, TV a cabo e outros serviços contratados por sua família. Esses gastos, como diz o nome, são fixos, e todo mês você terá que pagá-los.

Para ter um controle maior de suas despesas é importante saber quanto elas representam no seu orçamento. Os gastos fixos, por exemplo, devem corresponder, idealmente, a no máximo 50% da sua renda familiar. Se eles ultrapassam esse valor, talvez seja necessário reavaliar o seu estilo de vida para compreender se você está vivendo um padrão acima do que pode bancar.

Por fim, os chamados gastos variáveis são aqueles que não são frequentes, mas que comprometem o orçamento. Eles podem ser aquelas pequenas compras do dia a dia e quando não são administradas acabam com todo o salário.

Organizando os gastos domésticos

A dica de vários economistas é começar dividindo as despesas por grupos. Esse método torna mais fácil o gerenciamento das contas. Assim, é possível definir o que é essencial, ou seja, o que são gastos necessários e desnecessários. Ter isso em mente facilita na hora de decidir o que pode ser cortado da rotina. Além disso, é possível perceber até que ponto o seu dinheiro está sendo direcionado para itens sem importância.

Assim, você pode dividir os seus gastos domésticos em:

  • Despesas da casa: aluguel, condomínio, luz, água, internet, telefone e gás;
  • Mercado: alimentos, produtos de higiene pessoal e produtos de limpeza;
  • Transporte: aplicativos de transporte, gasolina e transporte público;
  • Alimentação: restaurantes, lanches, fast- food, etc;
  • Lazer: cinema e serviços de streaming;
  • Educação: escola dos filhos, faculdade, cursos, material escolar, livros;
  • Autocuidado: academia e salão de beleza
  • Investimentos: seguro de vida, previdência privada, poupança, fundo de emergência;
  • Impostos: IPTU, IPVA e Imposto de Renda;
  • Saúde: convênio médico, remédios, tratamentos.

Além disso, é importante se lembrar de gastos como presentes de aniversário e despesas com pets. Vale lembrar que essa divisão é apenas uma base e pode variar de acordo com a rotina e os hábitos da sua família. Resumindo, a ideia é dividir as despesas em categorias que atendam às suas necessidades. O ideal é não exagerar na quantidade de classes pois isso dificulta a análise final do seu orçamento.  

Após dividir todos os seus gatos em categorias é preciso fazer uma divisão mais apurada. Assim, divida suas despesas em três grandes grupos:

  • Gastos essenciais;
  • Estilo de vida;
  • Objetivo financeiro.

Assim, observe todos os itens da primeira lista e os distribua entre esses três grupos. Você pode incluir mercado, educação e saúde em gastos essenciais, por exemplo. Para estilo de vida inclua os gastos com lazer e cuidados pessoais. Para o objetivo financeiro é importante listar todas as dívidas que precisam ser quitadas ou investimentos que pretende fazer.

Orçamento doméstico: defina a porcentagem ideal

Existem diferentes métodos para organizar suas finanças. Um deles é estabelecer a medida ideal de gastos em cada grupo definido anteriormente. Para determinar o percentual de cada categoria é preciso conhecer bem a sua receita. Muitas famílias utilizam a regra 50-30-20. Ela determina um limite de gastos para cada grupo de gastos.

Assim, 50% da renda deve ser direcionada para gastos essenciais e fixos. Enquanto isso, 30% é utilizado nos gastos variáveis, normalmente ligados ao estilo de vida. Os outros 20% deve ser direcionado aos objetivos financeiros, que serão utilizados para alcançar sonhos e projetos.

Essa técnica é apenas uma sugestão. Isso porque, famílias diferentes vivem realidades diferentes. Quem mora de aluguel, por exemplo, terá mais gastos essenciais e isso precisa ser levado em conta. A ideia é ter essa proporção como base e não ficar muito distante da regra.

Organize suas finanças

Para compreender sua situação financeira é preciso fazer um diagnóstico. Com esse passo a passo é possível realizá-lo de maneira simples:

Registre sua renda

O primeiro passo é somar a renda de todos os familiares. Isso inclui toda a receita, como salários, honorários, imóveis alugados e outros.

Levante todos os gastos domésticos

Pegue a lista que fez com todos os pagamentos mensais fixos e variáveis. Registre por escrito ou em uma planilha no Excel, mas lembre-se que esse método precisa ser de fácil entendimento para você, então se não domina a ferramenta, o ideal é fazer o registro por escrito. Não se esqueça de anotar gastos com lazer, alimentação fora e até presentes que pretende dar.

Categorize e agrupe

Separe os gastos em categorias. Você pode somar quanto está gastando em cada categoria. Desse modo é possível perceber se está gastando de maneira exagerada em despesas que não são essenciais.

Aplique a regra 50-30-20

A regra 50-30-20 é uma ótima maneira de dividir em percentual os seus gastos e definir quanto poderá gastar em cada categoria. Segundo ela, para uma família que possui R $3.500,00 como renda, por exemplo, o ideal é que se gaste até R$1.750,00 na categoria essenciais, até R$1.050,00 em estilo de vida e até R$700,00 em objetivos financeiros.

As análises que partem dessa organização permitem maior controle de sua vida. Por exemplo, a partir dela é possível perceber se você está fazendo poucos investimentos. Isso pode comprometer o futuro e tranquilidade da sua família, já que ter um patrimônio sólido é a base para uma vida financeira saudável.

Essa divisão proposta foi feita com base nas necessidades e hábitos de consumo dos brasileiros. De fato, as famílias costumam gastar mais com habitação, transporte e alimentação. Contudo, esses gastos aumentam a cada ano e por isso é preciso estabelecer o que é essencial e o que já se tornou exagero. Lembre-se de manter os seus gastos dentro do orçamento.

Dicas para economizar nos gastos essenciais

Reduzir os gastos domésticos pode ser um desafio. Isso porque, muitas famílias possuem apenas os gastos essenciais em seu orçamento, o que torna difícil eliminar gastos, já que não existem contas desnecessárias. Contudo, é possível que algumas ações sejam implementadas em casa para reduzir os custos de algumas contas:

Luz

A conta de luz costuma ser um dos grandes vilões dos gastos domésticos. Isso porque, ela consome boa parte do orçamento familiar. Com o uso intenso de eletrodomésticos e de lâmpadas que muitas vezes não são econômicas, ficamos muito dependentes da eletricidade. Entretanto, isso não significa que não é possível poupar energia e reduzir o valor das contas.

Comece utilizando aparelhos com selo de economia. Essa é uma maneira simples de diminuir os impactos do consumo. Além disso, opte pelo uso das lâmpadas de LED. Elas possuem maior duração e são mais eficientes. Você também pode considerar o uso de fontes alternativas de energia como a energia solar. Se a instalação das placas de captação de luz solar for uma possibilidade para você, o investimento trará economia a longo prazo já que, produzindo sua própria energia, você se torna independente das taxas e bandeiras tarifárias.

Água

O uso da água por uma família é parte da rotina de todos. Isso porque, ela faz parte do processo de higiene pessoal de todos, no preparo de alimentos, limpeza da casa e lavagem de roupas. Assim, é comum que essa conta venha com o valor maior que o esperado. Desse modo, para diminuir os gastos e preservar esse recurso é preciso tomar algumas atitudes. Você pode começar com o aproveitamento da água para chuva para irrigar plantas e para lavar o banheiro, por exemplo.

Para isso, basta instalar uma cisterna para captação com filtro. Assim, é possível separar as impurezas que podem estar contidas na água. Outra medida é manter a torneira fechada enquanto escova os dentes e ensaboa a louça. Além disso, é possível utilizar baldes ao invés de mangueira para realizar algumas atividades. Caso a conta continue vindo muito alta, você pode solicitar a troca do hidrômetro com a empresa responsável pelo abastecimento de água da sua cidade.

Os gastos inesperados

Mesmo com um planejamento financeiro bem estruturado sabemos que é quase impossível fugir dos gastos domésticos inesperados. Isso porque, não é possível prever problemas no carro, uma virose ou até visitas familiares que aumentam o consumo médio das contas. Desse modo, para amenizar um pouco as consequências no orçamento é preciso tomar certos cuidados. Eles podem envolver evitar parcelamento com juros no cartão, ou até negociar descontos pode pagar as contas à vista. Nesse ponto, guardar parte dos rendimentos mensais também é fundamental para situações como essas. 







Fonte: https://www.casamineira.com.br/blog/gastos-domesticos/